sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dormir

Dormir aqui e acordar alii, acolá, quiçá no pensamento de quem mora no ontem, na estrada infinita e ilimitada dos versos; da alma impoluta que é coragem, paisagem de si mesmo.
E os tons dos meus sentidos, são azuis, fulvos, respingam nas almas, na busca irrestrita de ser.
Ser, viver, querer o mundo....
Olho o mundo dessa estrada, dormir na caminhada.
Olha a pedra, passarada.
Dormir aqui, alma impura, sem catenas, tulipas e jasmins.
Dormir, sentir, sonhar, fugir dos meus ontens, dos caminhos e, no toque desses sonhos, universo....
Dormir aqui e acordar ali....


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vire pó

Alma minha
E, na calada da noite
transforme-se,
recrie, deixe o vento te levar
plane nos abismos, cordilheiras,
me deixe descansar.
Vire pó alma minha
e, na calada da noite
solte o grito e permita
vivenciar o amor.
Vire pó alma minha
e sonhe, assanhe, repense
a vida e caminhe sob o mar.
Vire pó e eu serei alma
por toda a eternidade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Cara Patria

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

Teus filhos que nas perdidas balas
Acabam em valas, sem nome ou razão.

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

Teus mendigos que nas noites vadias
Se escondem com medo, dos honens sem fé.

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

Teus homens honestos, tão poucos e certos
Que vivem perdidos no meio dos ímpios.

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

Teus desvalidos e velhos; vencimentos tão parcos
Nas filas se perdem, sem nome nenhum.

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

Teus poderosos mentem, enganam
Aos filhos da terra tão boa e tão bela.

O Cara Patria
Amoris atria
Salve! Salve!

O sonho de tantos
A morte de muitos
Acreditam ainda
Na terra que habitam.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Justiça!!!

Justiça, eu clamo aos céus

Aos homens feras de ontem

Que se escondem nas sombras
Do barro da terra

Justiça! Eu clamo aos céus
A todos que pedem
Liberdade e coragem
De serem quem são

Justiça! Eu clamo aos céus
No canto de guerra
Que é alto imponente

Justiça e bravura!
Oh! Vós que me ouves
A vida é viagem
Na barca do vento

Justiça e coragem!
Espada que fere
Defende e permite
A todos justiça

Justiça é teu nome
Que clamo aos céus
Na hora do "manto"

Justiça!
Bravura!
Coragem!
Teu canto é de guerra...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vazio

Vamos mergulhar nos delírios,
nos suspiros incontestes
dos corpos se encontrando.

Vamos navegar nos mares,
sublimes, indizíveis...
de amar e ser amado

Soçobremos nas ondas
que margeiam a praia
e nas cavernas fazem morada.

Pintemos de arco-íris
os sonhos, as velas
delírios da alma
vadia e sombria
nos cantos da bruma
sensível ao luar.

Pintemos...
Salvemos...
Vivamos
De amor

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sublime e sórdido

Sublime é o sonho
sórdida é a vida.
Permeia, preenche,
confere e,
acalenta os versos,
desvarios, suaves murmúrios.
Sórdida é a ponte
que leva ao poente,
ausente, silente,
rompante de gente.
Sem eira e nem beira,
é tão delirante
o infante, rascante.
Viva o infame, o sórdido
e o sublime em mim.

domingo, 7 de junho de 2009

Voragem

Das brumas, teus olhos
tuas sombras, silêncios,
lamentos.
Dos murmúrios, os gestos
tão puros, vertigens da alma.
Sentinelas que expiam,
transformam, transcendem,
permitem clamar aos céus.
É soturno verão...
lento inverno, inferno....
Criatura que grita, procura,
devora, mexe e consente,
seduz e reflete a vida
vadia e vazia do mar
em mim.